A obra literária instaura uma ambigüidade que, a grosso modo, pode ser representada pelos signos da sombra e da luz. Não sendo propriamente uma relação dicotômica a apresentada entre os termos, destitui-se o caráter sistêmico da obra literária em si para se afirmar o caráter inefável de um pólo que não se mostra, mas apenas se deixa entrever. Um pólo indescritível, já que vazio. Um pólo onde age, limitadamente, a arbitrariedade do leitor, produtor de sentido. A luz do escritor e a luz do leitor, unidas, projetam sobre esse vazio a matéria própria da literatura, que é, talvez, a sombra disforme de uma unidade.
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